O conceito de interatividade na TV ainda causa certa confusão, pois Interatividade é um termo relativo e interpretado pelos indivíduos de acordo com suas experiências. Por exemplo, quem é usuário de Internet ou Games, tem um conceito de interatividade mais ativo que permite interferência no rumo dos acontecimentos do que aquela pessoa mais acostumada com a interação existente nos programas de TV atuais, como Big Brother e outros que fazem uso da votação e realizam uma interatividade limitada.

Uma dos principais atributos da TV Digital é possibilitar a convergência, de forma que a TV seja equipada com periférico como teclado, ou controles remoto especiais e seja capaz de oferecer ao usuário uma experiência interativa semelhante a obtida hoje com a Internet, porém para que esta conversão realmente ocorra, devemos analisar com bastante atenção as questões comportamentais relacionadas a utilização que já é feita hoje da TV, quando comparada ao computador pessoal.

Atualmente a televisão é assistida pela maioria de maneira passiva e por tantos outros como companhia para amenizar a solidão (CPqD, 2001).

Mesmo com a mudança de cenário que deve ocorrer com a chegada da geração nascida nos tempos da internet e provavelmente mais aberta a utilização da TV de uma forma mais interativa, nós devemos observar que o computador é um objeto pessoal.

Mesmo quando utilizado por toda família, o momento de utilização do computador, seja para trabalho, estudo ou lazer é um momento particular e isso torna a experiência do usuário com o computador muito diferente daquela obtida com a televisão, que normalmente é vista para distração, bem relaxado no sofá quando se está sozinho, como entretenimento com várias pessoas como telespectadores no mesmo ambiente.

Imagino que a experiência interativa na TV Digital deverá seguir um caminho próprio e diferenciado de todas as experiências existentes hoje em outras mídias, pois sua utilização possui peculiaridades que devem ser respeitadas para que se mantenha o público interessado.

É importante evitar o discurso dos profetas digitais que poderão dizer que a TV Digital irá substituir alguma outra mídia, pois o surgimento de novas mídias sempre vem cheio de profecias, como por exemplo, “A TV vai acabar com o Rádio”, “A Internet vai substituir o Jornal impresso”, porém felizmente nenhuma delas se concretizou e todas mantêm seu espaço.

A sociedade atual vem passando por mudanças cada vez mais rápidas e freqüentes, mas as experiências já vividas deixam a lição de que há espaço para todas as mídias. Algumas, como o jornal impresso, por exemplo, já passa por grandes mudanças e precisará se reinventar para manter o mesmo nível de influência que possui hoje e encontrar novas formas de atingir seu público, mas isso não ocorre somente pela chegada de uma nova mídia e sim por uma mudança comportamental natural que ocorre na sociedade ao longo dos tempos.

Devemos estar atentos para não expor a TV Digital aos mesmos erros cometidos com a Internet em seu início, quando por falta de conhecimento do que fazer com aquela nova mídia que surgia, foram copiadas iniciativas inapropriadas para o veículo, que acabaram criando barreiras mercadológicas ou visões distorcidas do seu potencial.

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