Tag: web2.0

A Próxima Pequena Grande Coisa

por Rafael Kiso em e-Business - 01/09/07.

Pedaços de códigos chamados Widgets abrem a porta para o marketing viral através de redes sociais. Será ele o início da Web 3.0?

Um widget web é um pedaço portátil de código que pode ser instalado e executado dentro de qualquer página HTML pelo usuário final sem requerer compilação ou algo do tipo. Eles são semelhantes aos widgets que existem nas aplicações desktops, principalmente no Windows Vista e no Mac. Outros termos sinônimos de widgets web são gadget, badge, módulo, cápsula, snippet, mini e flake. Os widgets são tipicamente parecidos com pequenas janelas ou caixas, que carregam uma funcionalidade de terceiro. O resultado pode ser ter seus vídeos favoritos do YouTube dentro do seu site, por exemplo.

Mas os widgets também podem ser a janela para venda de produtos e serviços ou até mesmo para propagandas customizadas. Por exemplo, criar um que toca suas músicas favoritas e direcionar os usuários para um site que as vende.

A corrida em busca de terreno na web está se tornando uma corrida ao ouro pela rápida disseminação de desenvolvedores, empresas de mídia e varejo, que estão “widgetizando” suas aplicações, vídeos, e produtos, e colocando-os em outros sites. As pessoas estão gastando cada vez mais tempo em blogs, comunidades e redes sociais como Orkut, Facebook, MySpace, Hi5 e Tagged. E nesse sentido, criar widgets é como desencadear uma nuvem de vírus. Eles podem carregar sua loja, serviço ou propaganda para qualquer site ou página da rede. E se as pessoas gostarem do seu widgets, elas irão espalhar para milhares de outras pessoas. Você poder ganhar uma escala muito grande em pouco tempo.

Esse movimento começou em maio, quando o Facebook anunciou que iria abrir seu código e passar parte do poder econômico e de distribuição para os desenvolvedores de widgets. Enquanto o MySpace permite que seus usuários colem aplicações em seu site, o Facebook deu alguns passos a frente e permitiu os desenvolvedores acessarem os dados do perfil de seus usuários para aumentar a utilidade dos widgets. Além disso, o Facebook criou áreas discretas onde os desenvolvedores podem ficar com 100% da receita gerada pelo e-commerce ou publicidade de seu widget.

Grandes companhias de mídia, tecnologia, comunicação, entretenimento e varejo, estão entrando de cabeça nos widgets. A Reebok, por exemplo, criou recentemente um widget para o mercado chamado “Shoe Fight”, no qual te permite desenhar um tênis e colocá-lo no seu site, enquanto a IBM está plugando widgets em seus softwares, incluindo um que permite os funcionários transformarem seus e-mails não lidos em arquivos de áudio para que possam ouvir enquanto voltam para casa.

Os widgets também já fazem parte de todas as estratégias que a Focusnetworks desenvolve para seus clientes, ajudando-os a pulverizar seu conteúdo e não tentar trazer os usuários para o site da empresa. Para se ter uma idéia do movimento, o Google revelou um programa para atrair criadores de widgets no qual serão remunerados por criação. Eles também estão testando os chamados Gadget Ads, no qual permite os anunciantes tornarem seu formato estático em um conjunto de widgets com vídeos, animação, e notícias em tempo real. Os widgets permitem as pessoas personalizarem sua experiência na web e ao mesmo tempo produzir uma publicidade mais efetiva e relevante.

O que é importante observar desde já, é que com a explosão dos widgets na web, métricas como “page views” e “tempo de permanência” terão que mudar. Em um mundo onde um site pode ser dividido em centenas de pedaços, os widgets redesenharão a definição de uma página web e de uma audiência.

E as implicações no e-commerce também são potencialmente grandes. Ao invés de simplesmente construir um site aonde as pessoas vão para comprar, os vendedores podem usar os widgets para trazer a loja até os compradores. A Amazon e a Wal-Mart já possuem um widget que permite os usuários buscarem em suas lojas enquanto estão em sua rede social ou página pessoal.

O eBay também criou um widget similar ao da Amazon, só que específico para o ambiente do Facebook. Isso é o que podemos chamar de “e-commerce distribuído”.

E isso tudo é somente a ponta do iceberg. Pense no que acontecerá quando a rede social for verdadeiramente móvel. Os widgets por sua vez já possuem um visual semi-pronto para os dispositivos como o iPhone.

A relação dos widgets com as redes sociais já está se tornando a nova grande rede, e sem dúvida isso pode marcar a entrada da terceira era da Web.

Rafael Kiso é sócio-fundador e Diretor de Tecnologia da Focusnetworks Brasil.
rafael.kiso@focusnetworks.com.br

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A Geração “C$”

por Rafael Kiso em e-Business - 01/08/07.

A geração que gera CONTEÚDO, da COLABORAÇÃO e que está CONECTADA o tempo todo está se transformando na Geração “C”ASH $.

A Geração “C” pode ser definida como a geração de pessoas que vivem em uma sociedade conectada e informada, usa a Web 2.0, cria e compartilha conteúdo, participa na co-criação de produtos e serviços, e colabora entre si.

Até pouco tempo atrás, a Geração “C” era uma tendência, mas atualmente já é mais que realidade. Essa antiga tendência possui duas características que a preenche. A primeira delas é o impulso criativo de cada consumidor. Todos nós somos artistas, mas até agora não tínhamos a coragem, a ferramenta e um motivo para botar o “dom” em prática. Agora temos blogs, YouTube, Orkut, Flickr, entre outros sites para nos motivar e dar poderes. E são essas ferramentas de criação de conteúdo, gratuitas por sinal, que representam a segunda característica.

E é por isso que no presente momento de 2007 é difícil achar alguém que não saiba de fato que essa geração que cria conteúdo está por trás de alguns dos maiores sucessos da Web 2.0, desde as dezenas de milhões de blogs até os flickers e youtubes da vida.

Se analisarmos mais a fundo, veremos que está havendo uma mudança positiva do consumo para a customização e co-produção, como escrito anteriormente. Veja no caso do Google que possui uma comunidade chamada “What Should Google Do”, que atrai centenas de devotos que compartilham suas brilhantes idéias e sugestões. É uma maneira de usar o conceito e permitir as contribuições dos usuários.

Porém essa Geração “C” está se transformando na Geração “C$” de dinheiro. Se os consumidores produzem conteúdo, se eles são o conteúdo, e o conteúdo traz dinheiro para agregar às marcas, então a receita e o lucro compartilhado serão as principais mudanças no cenário on-line, principalmente para o mercado publicitário.

E essa mudança não é uma opção para as marcas, pois os consumidores talentosos serão necessários depois de trazerem faturamento pela sua participação. Portanto, prepare-se para a avalanche de novos modelos de marketing, cheio de negociações e esquemas de recompensas para motivar os consumidores da Geração “C”.

Esses usuários já estão ajudando marcas como Nike, Nokia, Lego, Mentos, a inovarem e terem novas campanhas de publicidade arrasadoras, que ganham prêmios e vendem mais produtos. A Doritos foi a primeira a anunciar um concurso cujo objetivo era criar um comercial em vídeo para um produto da marca (Tortilla Chips). Os cinco melhores seriam levados a um juri on-line, e o vencedor teria seu vídeo exibido no Super Bowl. A audiência estimada do Super Bowl, maior evento esportivo, era cerca de 70 milhões e o vencedor ainda levava 10 mil dólares pra casa. Só para concluir, se a Doritos fosse produzir tradicionalmente um vídeo ela gastaria alguns milhões de dólares, já nesse caso ela gastou 10 mil com o prêmio e algo a mais com a campanha de divulgação (que foi em sua maioria viral). Veja o site e o vídeo em www.crashthesuperbowl.com.

Tudo isso não quer dizer que a Geração “C” (Conteúdo) irá parar completamente de produzir de graça para as marcas. Ainda existe a recompensa da exposição e os minutinhos de fama que levam o consumidor a colaborar. Será que podemos chamar isso de hobby? Será que existe uma nova economia como “Economia do Hobby”? Pois, estamos cheios de blogs, softwares open-source, wikipedias, youtubes, que giram certa economia ligada a fama, reputação ou bem maior.

Embora permitir e incentivar o conteúdo gerado pelo usuário pareça o caminho mais óbvio a tomar tendo em conta as mudanças que a nova web proporcionou ao mundo da publicidade e marketing, você deve ter muito cuidado ao apostar neste tipo de estratégia e conteúdo. Tem que saber dosar o nível de controle que se dá aos usuários. Fique atento.

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Cinco técnicas para usar a Web 2.0.

por Rafael Kiso em e-Business - 01/07/07.

O texto a seguir foi abordado por mim no Guia Rápido para uma Estratégia Web 2.0 de Sucesso , criado pela Focusnetworks.

Se aplicarmos as técnicas da Web 2.0 em uma empresa, teremos alto valor de relacionamento com o cliente, e até mesmo com parceiros e fornecedores. Particularmente na indústria de serviços, a conversação bidirecional da Web 2.0 permite um feedback instantâneo, rápida evolução de ofertas através de co-inovação com as pessoas que realmente estão usando os produtos e até mesmo verdadeiras relações onde seus clientes são também seu principal fornecedor. A Web 2.0 essencialmente descreve o que funcionou bem na Web 1.0 e empresas como Amazon transformaram essa comunicação bidirecional com os clientes em estado da arte virtual, fornecendo melhores serviços para seus clientes como resultado de colaborações como recomendações e avaliações de produtos pelos consumidores, etc.

Perante a análise da Gartner, todas as empresas devem adotar uma arquitetura e estratégia Web 2.0 até 2008. Aqui está uma pequena lista de maneiras de como aplicar a Web 2.0 para construir um relacionamento com o cliente de alto valor:

1.Estabelecer nativamente Usabilidade e Experiência para o Usuário;
A maioria dos web sites tradicionais ainda são muito complexos, difíceis de usar e navegar e acabam falhando ao invés de tornar fácil fazer negócios. O uso de HTML estático, forçando o carregamento de página e refreshs, muitos menus e links para clicar (o usuário fica perdido) e muito conteúdo em uma única página (o usuário fica cansado para ler). Ao contrário, aplicando as técnicas da Web 2.0, os sites se tornarão extremamente simples com um bom design, de fácil navegação (navegação muitas vezes intuitiva) e com ótima usabilidade. As interfaces feitas em Ajax são ótimas, mas com pouco poder de design, o uso do Ajax pode ainda resultar em uma péssima interface, caso caia nas mãos dos designers “errados”.E para finalizar, quanto menos a sua aplicação é usada, mais simples ela deverá ser, porque os usuários poderão esquecer de como ela funciona.

2.Permitir, incentivar e coletar as contribuições do Usuário;
Seus clientes quase sempre são a sua melhor fonte de informação sobre seus produtos. De fato, seus clientes sabem mais sobre eles do que você. Portanto, permita essa vasta maré de conhecimento e colete feedbacks, críticas, dicas, sugestões, preferências, conversas entre seus clientes e até mesmo conversas entre sua empresa e seus consumidores (se eles aprovarem isso). Esses últimos dois, se tornarem públicos, podem formar verdadeiras comunidades e permitir que seus melhores clientes ajudem outros clientes quando você não puder. Se você estiver no negócio de fornecer conteúdo, permita-os participarem desse fornecimento e compartilhar com outros usuários.

3.Permitir a formação de comunidades;
Se os seus clientes gostam do que você vende, eles formarão comunidades on-line, mesmo se você não aprovar. Nessas comunidades eles compartilharão idéias e informações, criarão uma atmosfera de entusiasmo, ajudarão outros consumidores, organizarão eventos on-line, etc. Além disso, a comunidade mostra uma tendência de que os consumidores estão deixando de comprar produtos para comprar as experiências que esses produtos trazem e a própria comunidade em si, torna-se uma experiência para eles. Felizmente construir uma comunidade hoje em dia é relativamente fácil. Por exemplo, plataformas como Drupal (http://drupal.org) e CivicSpace (http://civicspace.org) estão levando as melhores práticas da web, combinando as comunidades on-line com as técnicas da Web 2.0.

Para finalizar, do ponto de vista de custo/benefício, uma comunidade on-line pode manter a sua base de clientes mais unificada e auto-sustentável, além de colocá-los sempre a frente de sua marca, aumentando a oportunidade de gerar novos negócios.

4.Tornar-se uma plataforma aberta, permitindo reutilização de serviços (SOA);
Imagine-se permitindo que outros sites utilizem a sua base de informações. Informações não estratégicas e vitais é claro, para fornecer aos usuários uma forma mais rápida de agregar valor ao seu próprio negócio. Isso é o que chamamos de SOA Global, uma arquitetura orientada a serviços que permite a interoperabilidade entre informações de diversas fontes através de web services. Tornar-se uma plataforma aberta não significa fornecer gratuitamente a informação, você pode monetizá-la como a Amazon fez. Outros sites permitiam a pesquisa e venda de livros da base da Amazon, sem mesmo precisar entrar no site da Amazon, assim o site que vendeu ganha comissão. Se isso ainda está um pouco longe pra você, tente começar por outros recursos como feeds RSS para notícias entre outras informações, no qual permitirá que seu usuário leia seu conteúdo sem ao menos precisar entrar no seu site.

5.Permitir sociabilidade e personalização para acontecer o que chamamos de Self-Evolving CRM.
As técnicas sociais e colaborativas da Web 2.0 provêem uma estrutura maleável no qual fornece serviços ricos de CRM, que podem ser customizados individualmente pelos visitantes e altamente automatizados. Exemplos dessa estrutura são os Web Parts ou Mashups de previsão do tempo ou notícias do Google, que permite o usuário customizá-los ao ponto de ter somente informações relevantes a ele, como previsões somente da cidade de São Paulo ou notícias somente sobre política. Toda vez que o usuário voltar ao seu site, o mesmo estará automaticamente configurado para os gostos do dele, trazendo assim alta produtividade.

Há muitas outras maneiras de aplicar as idéias da Web 2.0 para melhorar a até mesmo reinventar o relacionamento com o cliente, mas essas são algumas das idéias primordiais.

Rafael Kiso é sócio-fundador e Diretor de Tecnologia da Focusnetworks Brasil.
rafael.kiso@focusnetworks.com.br

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Web 2.0 além do buzz – dá para sair do hype e entregar ROI?

por Rafael Kiso em e-Business - 01/03/07.

Como diversas tecnologias emergentes, a Web 2.0 continua a atrair mais teorizadores do que disseminar seus conceitos, entregar ROI e sair do hype. Em uma matéria da Reuters publicada pela Revista Info, diz que a Web 2.0 é sucesso que não gera receita. Nesta matéria o foco é os sites como YouTube, Flickr, MySpace e del.icio.us, no qual são sites quase que exclusivos para jovens em busca de entretenimento digital. Até recentemente, muitos aspectos da Web 2.0 foi focado nos consumidores. E é por esse motivo que eu escrevo este artigo, para mostrar, através de minhas pesquisas e experiências, a real importância da Web 2.0 para o mundo dos negócios.

Os negócios também precisam descobrir as vantagens de usar o conceito, tecnologias e ferramentas que a Web 2.0 traz com maior flexibilidade do que as aplicações tradicionais pré-encaixotadas. Enquanto uma definição precisa permanece obscura, irei mostrar as características comuns que tipicamente são compartilhadas por aplicações Web 2.0.
Web 2.0 te ajuda fazer mais com menos

Nem todas as ferramentas Web 2.0 são apropriadas para todas as situações de negócio, mas entender a composição dessas novas tecnologias pode ajudá-lo a decidir quais aspectos da Web 2.0 pode ter impacto em suas operações diárias. Quando você começar a pensar em aplicações web, a primeira coisa que você tem que analisar é como as pessoas estão se colaborando atualmente, e tentar automatizar e facilitar essa colaboração em uma aplicação web. Nesse sentido há uma nova geração de ferramentas e técnicas que pode te ajudar, isso inclui:

  • AJAX – Abreviação para “Asynchronous JavaScript and XML”. É uma técnica de programação que permite os browsers retornar dados dos servidores sem recarregar a página. Isso dá velocidade para as interações dos usuários com as aplicações como mapas e catálogos de compras. Por exemplo, o AJAX pode permitir os compradores clicarem em vários estilos e cores de uma roupa sem que a página se carregue novamente, como se fosse uma aplicação desktop.
  • Blogs – uma abreviação de “Web logs”, ele estão dando voz a todos na Internet. Embora eles geralmente sejam simples diários, algumas empresas usam esse meio para expressar sua liderança, seus pensamentos, desenvolvimentos, e garantir que todos da empresa e os consumidores entendam as novas direções e iniciativas. O Blog serve também como meio de descoberta sobre os seus próprios produtos e serviços através dos comentários dos consumidores.
  • Mashups – São mini aplicações web que combinam conteúdo de múltiplas fontes para criar uma nova aplicação. Por exemplo, uma concessionária rodoviária poderia mostrar em um único recurso a condição do tempo e do trânsito em diversos trechos da rodovia, nesse exemplo essa aplicação utiliza-se de fontes especializadas em condições do tempo, mapas e tráfego, que podem vir cada uma de uma fonte diferente e mostrar para o usuário de forma transparente e única.
  • RSS – Really Simple Syndication são feeds que permitem os usuários assinarem um conteúdo específico e receber automaticamente a cada atualização. Ao invés de ter que visitar diversos sites para verificar novas informações, os usuários podem ter todas as informações mostradas em um único dashboard, no qual pode ser extremamente útil para colaboradores que precisam de informações atualizadas em tempo real para tomar decisões. Por exemplo, poderíamos ter um RSS para cada categoria de um catálogo de produto, no qual quem assinar o feed, sempre terá o seu catálogo com preços e produtos atualizados, sem ter que entrar em contato com você.
  • Tagging – as tags foi originalmente popularizada pelos del.icio.us. O formato Tag usa palavras-chave ao invés de listas seqüenciais ou hierárquicas para achar categorias de assuntos. A saída é bem visual – as palavras mais populares aparecem maiores do que as outras menos populares. Isso faz com que tags sejam ideais para rastrear os interesses dos consumidores. Isso significa que a probabilidade de um usuário entrar no site procurando sobre o assunto que possui a palavra-chave maior é muito grande, e, portanto, isso facilita para ele ache o conteúdo de forma direta. No novo site da Focusnetworks nós aplicamos isso e pretendemos aplicar em diversos clientes.
  • Wikis – Os wikis são ambientes de autoração coletiva que permitem os usuários criarem, atualizarem e criarem vínculos com sites sem usar HTML ou qualquer outra linguagem. O melhor exemplo é a enciclopédia Wikipedia. Mas no ambiente corporativo, os wikis podem ser usados por múltiplas pessoas para atualizar e compartilhar conhecimento através da web.

O Software se tornou um serviço
O conceito de reusar conteúdo prontamente disponível, no qual geralmente é grátis na Internet, está também mudando as percepções de como o software deveria ser. Por usar ferramentas customizáveis como são os wikis ou sites como Google Maps, os softwares estão sendo substituídos por Web services. Os pacotes de softwares são tipicamente projetados para uma faixa pequena de usuários, já os Web services podem ser usados para múltiplas propostas. Para as PMEs, isso criar uma oportunidade atrativa de ter tecnologia disponível para ir de encontro com as necessidades de negócio.

Por exemplo, um gerente de logística necessita planejar a mais eficiente rota para enviar suas mercadorias paras as lojas no nordeste antes que uma chuva forte caia sobre a região. Usando um mashup, o gerente pode criar um dashboard em tempo real somente arrastando informações das condições do tempo fornecidas por um serviço do INPE, mapas online e as informações de estoque da empresa. Essa aplicação combinada pode então ajudá-lo a priorizar as entregas. Similarmente os vendedores poderiam usar um mashup para criar um dashboard que aponta os alvos de venda. Combinando informações de blogs, wikis e feeds de notícias com informações de contato dos clientes, o mashup resultante poderia fornecer um melhor entendimento dos interesses dos clientes.

A Web 2.0 ajudas as empresas preencherem os gaps e construírem novas potencialidades de negócios.
Enquanto o buzz pode fazer as possibilidades da Web 2.0 parecem infinitas, você deve se aproximar da Web 2.0 e usá-la como uma ferramenta de negócio que ainda precisa ser amadurecida para ter um efeito global nos negócios. Para encontrar maneiras de como essas ferramentas podem trazer vantagens competitivas para seus negócios, comece listando seus processos chave e procure por caminhos que os serviços Web 2.0 o ajudem a melhorar esses processos ou preencher os gaps.

Para concluir, tenha em mente que a Web 2.0 não é uma reinvenção da Web 1.0, se é que ela existiu, é na verdade uma evolução natural do mercado de tecnologia, por necessidades globais de aumentar os resultados dos negócios que utilizam o canal Internet.

O grande lance é que o mercado precisava de um termo que definisse a fase de evolução que a Internet está passando. Nesta fase o foco não está na tecnologia, está nas pessoas e o que elas podem fazer com essas novas tecnologias para aumentar a eficiência de seus negócios. Esse é o centro que devemos enxergar como revolução.

Rafael Kiso é sócio-fundador e Diretor de Tecnologia da Focusnetworks Brasil.
rafael.kiso@focusnetworks.com.br

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E-Commerce 2.0

por Rafael Kiso em e-Business - 01/03/07.

O que faz de um site de e-commerce ser um e-commerce 2.0? A resposta para esta pergunta é um e-commerce melhor, mais fácil de se usar, mas, o mais importante, ele traz maior retorno financeiro.

E o que norteia essa mudança? Para quem está começando, maturidade e perspectiva. Agora, o e-commerce já está no mercado há mais de uma década. Os gastos do varejo on-line mundial irão beirar U$100 bi no fechamento de 2006 com um crescimento médio de 20% ao ano. Aqui no Brasil, a previsão para o ano, segundo a e-bit, é de que o segmento fature 4,3 bilhões de reais – crescimento superior de 70% em relação a 2005. A Internet influencia uma porção crescente do total de vendas no varejo. Segundo a previsão da JupiterResearch, em 2010 as vendas de varejo on-line representarão 50%, sendo que em 2005 representaram 27%. O e-commerce se tornou estratégico, ou seja, uma necessidade e não mais uma opção. Os negócios precisam encontrar diferenciação, pois de acordo com os mantras da Web 2.0, você não pode mais mostrar e falar da sua marca para as pessoas, você tem que deixá-las a experimentarem.

Outro fator que norteia essa mudança é o legado. Muitos dos grandes varejistas estão rodando sistemas que já tem 6 a 8 anos de idade, construídos em uma época no qual a arquitetura de desenvolvimento era engessada para ser customizada a uma determinada infra-estrutura. Os gerentes de marcas e os gerentes comerciais têm que conversar com o TI para fazer as coisas acontecerem. Tudo demora a acontecer porque o TI sempre possui uma equipe reduzida e geralmente eles estão mais preocupados em fazer e manter o site rodando bem do que fazer o site gerar mais dinheiro. Esses são alguns dos fatores que fizeram a Forrester prever um replanejamento do sites de e-commerce, começando ainda neste ano.

O comportamento dos e-consumidores também mudou. Entre as razões para o crescimento acima do esperado estão o aumento no número de e-consumidores e de usuários de banda larga no País. A confiança em comprar on-line e nos mecanismos de pagamento aumentou. Os consumidores estão comprando mais on-line e eles também estão comprando produtos mais caros. Além disso, agora eles escolhem aonde comprar. Uma pesquisa realizada pela Allurent encontrou que quando os consumidores encaram uma experiência frustrante de compra, 82% deles possivelmente não voltarão naquele site, 55% formam uma impressão negativa da loja e 28% possivelmente não comprarão na loja física daquela loja on-line.

E finalmente, a penetração da banda larga chegou a um ponto onde os site de e-commerce podem começar a oferecer conteúdos e experiências mais ricas aos usuários.

Eu vejo três grandes tendências que consolidarão a evolução do e-commerce 2.0 e ajudará no desafio de encontrar prospects, torná-los em clientes e faturar.

Primeiro, uma significante mudança para mais experiências interativas entregues através de rich internet applications (RIAs). Os primeiros sinais estão em todo lugar: desde a loja on-line da Gap, o NikeID, até o configurador de carros da MiniUSA. Isso porque estes exemplos já são praticamente antigos. Com o e-commerce 2.0, o RIA irá dominar. O principal objetivo será reduzir o abandono de carrinho e de compras, no qual, acredite ou não, representa mais de 50% do número de compras efetivas e é o ingrediente chave para a baixa taxa de conversão (alguns dos melhores sites de compras estão entre 3 a 4 % de conversão). Em um mundo onde os compradores podem achar o mesmo produto em outra loja on-line através de um click, a inovação através de recursos inteligentes com boa usabilidade e experiência para o usuário, irão atrair um grande público.

A segunda tendência é a aceleração da desagregação, trazida por duas forças focando em principais competências e aumentando o efeito de rede. Desagregação não é sair do e-commerce 1.0. Alguns negócios levaram isso ao extremo, mudando toda a sua operação on-line para o Submarino ou Americanas.com, por exemplo. O que é novo no e-commerce 2.0 são web services que fornecem somente uma porção da experiência de um e-commerce focado em algum recurso. Os recursos de avaliação e resenha dos produtos são bons exemplos. No e-commerce 2.0 poderíamos ter uma avaliação e resenha de um produto, vindo de um banco de dados central de todos os sites que vendem aquele produto. O recurso de pagamento é um outro exemplo. Os serviços de maior sucesso irão reduzir as barreiras para a compra através de sites.

A Terceira tendência é o comércio social, no qual vem em dois sabores: conteúdo e interatividade, ou passivo vs. ativo. Exemplos de conteúdo de comércio social já estão presentes, embora não automatizados. Nossas escolhas de compra são influenciadas por pessoas de nossa rede de relacionamento social. As marcas sabem disso. É por isso que promoção no MySpace é o novo atrativo. E o que você acha de poder ver quais produtos seus amigos olharam ou compraram? A interação em um comércio social é, novamente, uma nova volta em uma idéia offline do marketing. Por que o iTunes não pode começar a oferecer incentivos a pessoas no qual recomendam sons para outras pessoas? E, desde que qualquer indivíduo pode se tornar um afiliado da Amazon, qualquer um pode ter links de produtos no perfil de sua rede social que os recompense por enviar compradores interessados a Amazon. Com o e-commerce 2.0 esses tipos de interações sociais irão infiltrar a experiência de compra. Combinada com a desagregação, isso significará que o comércio social acontecerá em qualquer lugar, não apenas em sites de e-commerce.

Há três elementos de arquitetura que define sites de e-commerce 2.0 e ajudará a quebrar a mentalidade de loja virtual (tudo sob o mesmo teto):

  • Um front-end composto que integra serviços desagregados dentro de uma experiência coerente para o usuário. Como isso se difere de um portal? Em um portal, os diversos pedaços de conteúdo geralmente são independentes um dos outros. Aqui, tudo é altamente integrado desde os dados até o ponto de vista da experiência do usuário. O front-end irá inicialmente rodar em paralelo a um e-commerce 1.0 existente, porque os e-vendedores irão experimentar e fazer a troca para o e-commerce 2.0 gradualmente. Pedaços de front-end irão ser agregados em outros sites.
  • Um back-end com três propósitos principais: primeiro se amarrar em uma funcionalidade de e-commerce existente que não precise ser substituída como catálogo, processamento de pedidos e serviços ao cliente. Segundo é criar uma camada de dados intermediária, otimizada para suportar a experiência do usuário. E, terceiro é manter o estado de interação, uma tarefa no qual se torna muito mais complicada com desagregação.
  • Um conjunto sofisticado de ferramentas para os gerentes de marcas, merchandisers e analistas que levam o TI para fora da equação. O controle de conteúdo, promoções, design, layout, interatividade e relatórios devem estar firmemente nas mãos dos usuários de negócio e dos tipos criativos. O TI deve se preocupar com a escalabilidade, estabilidade e segurança.

Os melhores sites de e-commerce 2.0 entregarão uma camada de tecnologia aliada a estratégias de marketing, no qual não são familiares para desenvolvedores comuns. É preciso ir além do conhecimento técnico, é preciso conhecer sobre pessoas / sobre consumidores. E isso se aprende em marketing, não em TI. Aqueles que tiverem as duas bases de formação serão os especialistas mais capazes de trazer o real resultado de um e-commerce 2.0 e até mesmo para a Web 2.0 como um todo.

Interatividade rica requer algumas combinações de Flash e Ajax. Indo desde simples mashups até front-ends flexíveis, que se tornam fáceis com plataformas avançadas como Flex e Atlas da Adobe e Microsoft. O uso de áudio e vídeo irá aumentar, trazendo novas ferramentas e servidores para o mix. Os principais web services permitem desagregação com uma regra especial para RSS dinâmico. O comércio social traz no resto do compendio Web 2.0 tal como um conteúdo gerado pelo usuário (alguns deles puxados de blogs e wikis, o resto capturado em sites de e-commerce), a construção de confiança/reputação e a descoberta de informações através de folksonomias e redes sociais. É claro, tudo isso tem que estar bem integrado com ambas as buscas horizontal e vertical, no qual não é uma tarefa pequena.

As inovações de back-end irão focar em configurações complexas de produtos (geralmente um problema de arquitetura de informação do que um problema de apresentação), otimização de navegação e novos tipos de personalização (baseado em um contexto social, atividade do site em tempo real, etc). Uma resposta ágil para o comportamento do usuário requer integração em tempo real da inteligência dos negócios com o modelo de tráfego.

São muitas as tecnologias que criam uma solução. Tudo depende do que os vendedores da plataforma de e-commerce querem. As plataformas existentes de e-commerce estão muito amarradas ao HTML no lado da apresentação e a falta de capacidades como processamento de dados sofisticados e gerenciamento de estado. Os vendedores de e-commerce incumbidos de fazer uma transição evolucionária para o e-commerce 2.0 irão falhar até que eles façam uma rearquitetura significante. Isso cria a oportunidade para três tipos de players: Integradores de Sistemas, empresas de e-commerce da nova geração, e fornecedores de serviços para a web.

Rafael Kiso é sócio-fundador e Diretor de Tecnologia da Focusnetworks Brasil.
rafael.kiso@focusnetworks.com.br

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