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Mídia Social – A ascensão da plataforma do consumidor como mídia.
por Rafael Kiso em e-Business - 01/08/07.
É importante, antes de seguir em frente, definir o termo “Mídia Social”. É claro que utilizei a definição, traduzida por mim, do Wikipedia (Inglês) para isso, no qual “Mídia Social descreve as tecnologias e práticas on-line, usada por pessoas para compartilhar opiniões, idéias, experiências e perspectivas. A Mídia Social pode tomar diversas formas, incluindo textos, imagens, áudio, e vídeo. São sites que tipicamente usam tecnologias como blogs, quadro de mensagens, podcasts, wikis, e vlogs para permitir os usuários interagirem.” E disseminarem conteúdo, eu completo.
A chave aqui, é que as pessoas são as que usam e controlam essas ferramentas e plataformas ao invés das empresas e grandes marcas. Além disso, é importante deixar claro que essa plataforma de mídia social só funciona em ambientes de rede. O motivo pelo qual eu destaco isso, é que o aspecto de rede, é primariamente uma força democrática de baixo custo; qualquer um pode entrar na conversa com um pequeno investimento de seu tempo pessoal e acesso a rede. E a partir da premissa de que a comunicação é essencialmente livre sobre a Web, combinado a uma arquitetura de participação gerida pelo efeito de rede, certamente torna as plataformas de mídias sociais a mais poderosa forma de mídia até hoje criada.
Hoje em dia todos estão postando algo em um simples blog, mas que automaticamente alcançam 1.1 bilhões de usuários na Web. E com o RSS, o conteúdo de mídia social é espalhado através da Internet via feeds e pode ser encontrado por qualquer um que esteja procurando informações pelo Technorati, Google Blog Search, TechMeme ou dezenas de outros mecanismos inovadores.
Mas o quão significante realmente isso é? Quais são os pontos fortes que determinam que a mídia social está mudando o panorama da comunicação, colaboração e interação pessoal? Como podemos considerar uma ferramenta ou um site um mecanismo de mídia social? Para entender melhor isso, eu criei uma lista do que devemos considerar para estabelecer algo como mídia social.
Mídia Social: Algumas considerações
- Comunicação na forma de conversação, não monólogo – A mídia social precisa facilitar a discussão bidirecional e debater com pouca ou nenhuma moderação ou censura. Em outras palavras, os comentários em blogs ou testemunhais em sites de comércio eletrônico não devem ser controlados no aspecto positivo ou negativo, mas sim somente no aspecto pejorativo.
- O protagonista da mídia social são pessoas, não empresas, não marcas – O perfil do consumidor mudou, e hoje ele controla a interação com as marcas. Portanto, para que a marca tenha credibilidade no mercado, as pessoas tem que falar positivamente dela para outras pessoas, e não a marca para as pessoas. Lembre-se a comunicação nunca deve ser unidirecional.
- Honestidade e transparência são os principais valores – Tentar controlar, manipular ou mesmo empurrar conteúdo é o pecado mortal da nova geração da web. As marcas precisam ser transparentes para que as pessoas se disponham a consumir seu conteúdo. É deixar as pessoas escolherem e criarem seu conteúdo e relacionamentos, ao invés de ser forçado a isso. Entender esse conceito é uma das principais técnicas da mídia social.
- Distribuição ao invés de centralização – Um dos aspectos frequentemente negligenciado da mídia social, é o fato dos interlocutores serem muitos e variados. É quase que inevitável o poder de poucas organizações terem o controle da criação e distribuição da informação. A mídia social é altamente distribuída e constituída de dezenas de milhares de vozes tornando a informação muito mais textualizada, rica e heterogenia.
A ascensão das plataformas de mídias sociais dentro dos negócios, irá colocar um desafio significante nas empresas enquanto elas tentam se adaptar as considerações citadas acima. Isso porque, não segui-las é tender a reduzir as chances de sucesso dentro da nova geração da internet. Veja o movimento do YouTube para pagar seus usuários pelas contribuições de vídeos, pois de alguma forma eles os limitam com algumas restrições de conteúdo.
Eis uma tendência que já é mais que tendência. Abrace essa causa antes que seja tarde demais.
Rafael Kiso é sócio-fundador e Diretor de Tecnologia da Focusnetworks Brasil.
rafael.kiso@focusnetworks.com.br
Web 2.0 além do buzz – dá para sair do hype e entregar ROI?
por Rafael Kiso em e-Business - 01/03/07.
Como diversas tecnologias emergentes, a Web 2.0 continua a atrair mais teorizadores do que disseminar seus conceitos, entregar ROI e sair do hype. Em uma matéria da Reuters publicada pela Revista Info, diz que a Web 2.0 é sucesso que não gera receita. Nesta matéria o foco é os sites como YouTube, Flickr, MySpace e del.icio.us, no qual são sites quase que exclusivos para jovens em busca de entretenimento digital. Até recentemente, muitos aspectos da Web 2.0 foi focado nos consumidores. E é por esse motivo que eu escrevo este artigo, para mostrar, através de minhas pesquisas e experiências, a real importância da Web 2.0 para o mundo dos negócios.
Os negócios também precisam descobrir as vantagens de usar o conceito, tecnologias e ferramentas que a Web 2.0 traz com maior flexibilidade do que as aplicações tradicionais pré-encaixotadas. Enquanto uma definição precisa permanece obscura, irei mostrar as características comuns que tipicamente são compartilhadas por aplicações Web 2.0.
Web 2.0 te ajuda fazer mais com menos
Nem todas as ferramentas Web 2.0 são apropriadas para todas as situações de negócio, mas entender a composição dessas novas tecnologias pode ajudá-lo a decidir quais aspectos da Web 2.0 pode ter impacto em suas operações diárias. Quando você começar a pensar em aplicações web, a primeira coisa que você tem que analisar é como as pessoas estão se colaborando atualmente, e tentar automatizar e facilitar essa colaboração em uma aplicação web. Nesse sentido há uma nova geração de ferramentas e técnicas que pode te ajudar, isso inclui:
- AJAX – Abreviação para “Asynchronous JavaScript and XML”. É uma técnica de programação que permite os browsers retornar dados dos servidores sem recarregar a página. Isso dá velocidade para as interações dos usuários com as aplicações como mapas e catálogos de compras. Por exemplo, o AJAX pode permitir os compradores clicarem em vários estilos e cores de uma roupa sem que a página se carregue novamente, como se fosse uma aplicação desktop.
- Blogs – uma abreviação de “Web logs”, ele estão dando voz a todos na Internet. Embora eles geralmente sejam simples diários, algumas empresas usam esse meio para expressar sua liderança, seus pensamentos, desenvolvimentos, e garantir que todos da empresa e os consumidores entendam as novas direções e iniciativas. O Blog serve também como meio de descoberta sobre os seus próprios produtos e serviços através dos comentários dos consumidores.
- Mashups – São mini aplicações web que combinam conteúdo de múltiplas fontes para criar uma nova aplicação. Por exemplo, uma concessionária rodoviária poderia mostrar em um único recurso a condição do tempo e do trânsito em diversos trechos da rodovia, nesse exemplo essa aplicação utiliza-se de fontes especializadas em condições do tempo, mapas e tráfego, que podem vir cada uma de uma fonte diferente e mostrar para o usuário de forma transparente e única.
- RSS – Really Simple Syndication são feeds que permitem os usuários assinarem um conteúdo específico e receber automaticamente a cada atualização. Ao invés de ter que visitar diversos sites para verificar novas informações, os usuários podem ter todas as informações mostradas em um único dashboard, no qual pode ser extremamente útil para colaboradores que precisam de informações atualizadas em tempo real para tomar decisões. Por exemplo, poderíamos ter um RSS para cada categoria de um catálogo de produto, no qual quem assinar o feed, sempre terá o seu catálogo com preços e produtos atualizados, sem ter que entrar em contato com você.
- Tagging – as tags foi originalmente popularizada pelos del.icio.us. O formato Tag usa palavras-chave ao invés de listas seqüenciais ou hierárquicas para achar categorias de assuntos. A saída é bem visual – as palavras mais populares aparecem maiores do que as outras menos populares. Isso faz com que tags sejam ideais para rastrear os interesses dos consumidores. Isso significa que a probabilidade de um usuário entrar no site procurando sobre o assunto que possui a palavra-chave maior é muito grande, e, portanto, isso facilita para ele ache o conteúdo de forma direta. No novo site da Focusnetworks nós aplicamos isso e pretendemos aplicar em diversos clientes.
- Wikis – Os wikis são ambientes de autoração coletiva que permitem os usuários criarem, atualizarem e criarem vínculos com sites sem usar HTML ou qualquer outra linguagem. O melhor exemplo é a enciclopédia Wikipedia. Mas no ambiente corporativo, os wikis podem ser usados por múltiplas pessoas para atualizar e compartilhar conhecimento através da web.
O Software se tornou um serviço
O conceito de reusar conteúdo prontamente disponível, no qual geralmente é grátis na Internet, está também mudando as percepções de como o software deveria ser. Por usar ferramentas customizáveis como são os wikis ou sites como Google Maps, os softwares estão sendo substituídos por Web services. Os pacotes de softwares são tipicamente projetados para uma faixa pequena de usuários, já os Web services podem ser usados para múltiplas propostas. Para as PMEs, isso criar uma oportunidade atrativa de ter tecnologia disponível para ir de encontro com as necessidades de negócio.
Por exemplo, um gerente de logística necessita planejar a mais eficiente rota para enviar suas mercadorias paras as lojas no nordeste antes que uma chuva forte caia sobre a região. Usando um mashup, o gerente pode criar um dashboard em tempo real somente arrastando informações das condições do tempo fornecidas por um serviço do INPE, mapas online e as informações de estoque da empresa. Essa aplicação combinada pode então ajudá-lo a priorizar as entregas. Similarmente os vendedores poderiam usar um mashup para criar um dashboard que aponta os alvos de venda. Combinando informações de blogs, wikis e feeds de notícias com informações de contato dos clientes, o mashup resultante poderia fornecer um melhor entendimento dos interesses dos clientes.
A Web 2.0 ajudas as empresas preencherem os gaps e construírem novas potencialidades de negócios.
Enquanto o buzz pode fazer as possibilidades da Web 2.0 parecem infinitas, você deve se aproximar da Web 2.0 e usá-la como uma ferramenta de negócio que ainda precisa ser amadurecida para ter um efeito global nos negócios. Para encontrar maneiras de como essas ferramentas podem trazer vantagens competitivas para seus negócios, comece listando seus processos chave e procure por caminhos que os serviços Web 2.0 o ajudem a melhorar esses processos ou preencher os gaps.
Para concluir, tenha em mente que a Web 2.0 não é uma reinvenção da Web 1.0, se é que ela existiu, é na verdade uma evolução natural do mercado de tecnologia, por necessidades globais de aumentar os resultados dos negócios que utilizam o canal Internet.
O grande lance é que o mercado precisava de um termo que definisse a fase de evolução que a Internet está passando. Nesta fase o foco não está na tecnologia, está nas pessoas e o que elas podem fazer com essas novas tecnologias para aumentar a eficiência de seus negócios. Esse é o centro que devemos enxergar como revolução.
Rafael Kiso é sócio-fundador e Diretor de Tecnologia da Focusnetworks Brasil.
rafael.kiso@focusnetworks.com.br
